sábado, 20 de novembro de 2010

90 dias e a busca do equilíbrio

95 dias depois de parir uma pessoa (e que pessoa!) me dou conta de que há novos arranjos a serem feitos porém, o mais recente deles diz respeito a conciliar quem eu fui com quem estou aprendendo a ser.
Ser mãe da Dorah, como meu amigo "brasiliense" gosta de enfatizar, é só uma parte da coisa.
Começo a sentir saudade do crochê, dos filmes e dos livros. Mais do que a saudade, começo a vislumbrar a possibilidade de retomar estas atividades dentro do novo ritmo.
A força motora deste momento não é tão idílica quanto os primeiros parágrafos sugerem. Crescer dói e, não raro, há conflitos. Estou vivendo um deles... mas, com as bençãos de minha mameta, sei que minha mãe não me pôs no mundo pra eu viver uma situação abusiva nem pra ser subestimada.
A gestação mexeu com meus brios.. Não havia energia pra guerra. Toda minha energia estava direcionada pra formação de uma pessoa. Agora é outra história... a cria tá no mundão, na selva de pedra louca e, mais do que nunca, o bem-estar dela está intrinsicamente ligado ao meu próprio bem-estar.
Me permtir abusos ou desrespeitos ensinarão o que a Dorah? Ela não é Madiba à toa! Não posso, não me permito sucumbir aos valores convencionais em troca de uma posição que querem que eu ocupe. Eu jamais ocuparei o lugar da mulher resignada! Já permiti resignação suficiente pro período.
Tenho muitas coisas pra arranjar... creche, carteira de habilitação, terminar minha manta azul, terminar duas mantas da Dorah, ler um livro do Saramago.. até gostaria de aprender a costurar mas, neste momento, talvez não seja possível.
Enfim, antigas atividades deverão encontrar espaço dentro das novas atividades e, nenhuma delas é eterna.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

É pecado querer mais??


Tenho amigos que trincam comigo pra tanta coisa... gostaria que mais amigos estivessem presentes - é mal querer isto?
Tenho entidades tão poderosas cuidando de mim - pedir mais proteção é egoísmo?
Tenho a meu lado um homem que tem desenvolvido seu potencial de pai de maneira exponencial num ritmo mais rock and roll do que bossa nova - querer que seja astronômico é pedir demais?
quero mais... sempre quero mais... de tudo... por isto sou intensa.
Mas na mesma medida, sofro... porque nem tudo é como quero, algumas coisas fogem ao controle e eu levo um tempo nada rock and roll pra me recompôr.
O fato é que quero mais... não muito mais... alguns poucos amigos mais presentes, uma comunicação mais produtiva com meu povo e um equilíbrio mais perfeito entre as três casas, e as duas filhas que fazem parte da vida deste homem com quem aprendo a ser companheira...
Reconheço publicamente que estou acelerando porém, ressalto que quem não pode com mandinga não carrega patuá. Sendo assim, ele tem se mostrado um mandingueiro cheio de ginga.
A pergunta ainda ecoa: é pecado querer mais?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Papai Ninja




Dorah Madiba é uma caixa de surpresa e mostra que eu precisaria de umas 3 vidas pra aprender o necessário pra viver com alguma sabedoria...
ontem a bichinha amanheceu com o olho esquerdo inchado. Durante o dia a coisa foi piorando... como fomos à Bienal na segunda-feira, um rolê imenso pra esta bebê que não tem 3 meses, pensei: terçol.
Na casa da avó, um monte de enfermeira: "o que é isso, cristiane?" deve ser terçol. "Lava com água boricada."
Passamos no trabalho do pai dela, ficamos 10 minutos lá e ele diz: "acho que isto é picada de mosquito."
E dá-lhe água boricada.
Hoje de manhã, menos inchado mas, inchado.
O dia correu e o que eu acabei de concluir? Picada de mosquito. O olho desinchou e tá lá a marca da picada.
A noite de segunda-feira foi muito quente... daí a casa ficou com pernilongos que picaram minha Dorita: duas na cabeça e uma no olho. Noite passada, por prevenção, cobri o carrinho com uma fralda.
Maurício acertou... ele tem participado mais e isto tem feito toda a diferença... estou feliz por nós. Picada de mosquito...

sábado, 6 de novembro de 2010

Cilada do poder



Me surpreendo no novo papel... ao mesmo tempo me sinto A poderosa... Dorah chora e eu sei como acalmá-la, na maioria das vezes sei como resolver o problema dela.
Sei como resolver hoje... chegará um dia em que não terei respostas, em que não poderei protegê-la e é neste momento, no reconhecimento da minha limitação, que percebo que não sou poderosa.
É uma grande cilada... porque não terei todas as respostas.. terei pra oferecer o mesmo de hoje: colo.
Amor de mãe é mesmo incondicional. Ok. Se ela inventar de jogar futebol, não sei como eu responderia... enfim, há uma meia dúzia de escolhas que, se ela fizer, me colocará em cheque-mate. Não importa. O que importa é que me dou conta do quanto o amor que sinto por ela é imenso, autêntico, ímpar.
É provável que toda mãe sinta isto pelo seu filho assim, não há nada de ímpar em amor maternal. O que há de ímpar é o amor pelo seu filho dentre todas as formas possíveis de amor que uma mulher pode sentir.
Dorah é ótima! Ela é forte, determinada, doce... hoje ela acordou tão risonha... passou uns 15 minutos tranquila, até berrar por peito. Ela quis dormir e, por mais que goste de colo, ela prefere estar na cama, pegar no sono sentindo meu calor e meu cheiro (outra cilada pra me sentir poderosa).
Gosto de como ela olha pro pai dela quando está no meu colo.. é um momento tipo: Santíssima Trindade Maloqueira sendo ela é a parte lady da coisa. Ela é delicada, encantadora e, ao mesmo tempo, tem algo de tão forte... uma força tão suave... descobri-la só tem reforçado a ideia de que valeu a pena passar por tudo que passei. Amor assim, a gente não tem como sentir de outra maneira: tem que viver.