quinta-feira, 23 de junho de 2011

Corpus Christi de guerra fria

Como gostaria que Dorah tivesse entendimento do que acontece hoje... exatamente hoje, o Corpus Christi de 2011...
Gostaria que ela entendesse que levantei como bandeira publicizar a ausência do pai dela por não me sentir confortável num silêncio que nunca combinou comigo. O mesmo silêncio de mulheres que são violentadas e se calam na vergonha.
Não me envergonho de ser mãe solteira. O têrmo soa a naftalina mas tem muito de real. Sou sozinha pra cuidar de Dorah e tenho contado com tantos apoios... todos de pessoas que se encantam por ela.
Meu entendimento não alcança a falta de encantamento do pai desta bebê por ela. Meu entendimento não alcança porque ele prefere seguir desempregado, sonhando em concretizar seus sonhos e escolhendo caminhos tão inverossímeis - como se não quisesse concretizá-los de fato. Tocar uma ou duas músicas num tempo mendigado no evento de alguém não o levará a lugar algum. Compôr músicas frívolas, um rap inconsistente, sem estudo, sem leitura... enfim... prefere este caminho ao caminho lógico de criar estrutura para que ela possa ter seus sonhos concretizados.
Dorah é meu presente, minha benção. Me proporcionou vivências e sensações que não teria de outra forma...
Desde o parto que foi perfeito, normal como eu queria até os sorrisos que ganho todas as manhãs... as fraldas sujas de cocô que tenho que lavar e mesmo as brigas que assumo para que ela tenha uma dieta vegetariana... tudo isto me proporciona uma vivência ímpar e em nenhum momento lamentei a gestação não planejada.
A atitude do pai dela, Maurício Gonçalves Júnior é lamentável e nada apoiável. Especialmente por mim.
No futuro Dorah entenderá o que aconteceu no passado dela. ELa pode ter 50% do material genético dele mas os outros 50% + o convívio cotidiano são meus! Estou no lucro e de consciência mais tranquila, agora que publicizei a ausência continuada de Maurício e suas prioridades que o distanciam da filha caçula.
Enviei o texto abaixo para amigos dele. Um jeito de vomitar o que tem acontecido a Agradeço a todos, todo apoio que me foi dado desde o momento em que descobri que ela estava dentro de mim até agora, 23 de junho...
Talvez eu volte ao assunto, como forma de viver um tipo de luto. Talvez eu volte ao assunto com a finalidade de contar uma história para que Dorah possa ler um dia, para que não seja esquecida e para ela aprender o que é superação. Dorah enfrentou muitos desafios e superou todos, enfrentou um tal osso que é proeminente na minha bacia e passou muito bem por ele... os obstáculos que surgirem, ela enfrentará com sabedoria porque é o que compartilharemos com ela. Nós que convivemos com esta criança linda, vivaz, de olhar penetrante e encantador.

"Bom dia, sou mãe de Dorah Madiba filha de Maurício Gonçalves Junior.
A pessoa passou o mês de abril inteiro e mais 15 dias do mês de maio sem ver a própria filha. Não estou falando em presença financeira - que NUNCA existiu - mas em presença emocional a quem está em formação, uma bebê de 10 meses. Em junho ele volta a repetir sua ausência, não perguntando pela criança, sem se importar com a saúde ou o bem-estar dela, perdendo os primeiros passos, o engatinhar, a criança aprendendo a bater palmas. Momentos ímpares na vida de alguém.
Maurício, que não compareceu ao batizado da própria filha, está desempregado há 5 meses e sempre usa como argumento o fato de não ter dinheiro para chegar onde moramos. Porém tem feito muitos rolês pela cidade, conta no boteco do bairro e não abriu mão de seus vícios e prazeres. De acordo com ele, tudo em nome do sonho musical.
Eu, que fiquei calada até agora, quando começo a denunciar sua ausência, fui excluída de sua lista de amigos do Facebook. É assim que ele resolve seus assuntos!!!
Resolvi publicizar a situação, a ausência frequente e o descaso com a filha porque não serei conivente com tamanho egoísmo. Quem não respeita uma criança não merece credibilidade, em especial se esta criança é sangue do seu sangue - algo de pouco valor para esta pessoa.
Desculpe incomodar sua privacidade. Talvez não tenha justificativa plausível mas como mãe, não posso ficar apática. Como mulher, não posso ser subserviente. Agradeço sua atençao.
Cristiane Moscou

sábado, 4 de junho de 2011

pretinha e o criolo




Dorah está com 9 meses e meio... este "meio" faz toda a diferença pra quem tem esta idade.. na verdade, a gente não percebe mas cada dia vivido é um dia que nos acrescenta algo. No caso de Dorah Madiba, minha preta mutretera, ela tá numa fase cheia de mamamamam, taitai e outros sons... dia 02, a greve da CPTM fez a creche fechar às 13h. Chegamos em casa, pretinha capotou mas quando acordou, jantou e comeu banana de sobremesa... e saiu da boca dela um "anana"... e ela tá tentando...
Tá treinando também jogar beijo... ela faz uma baita cara de dengo - Dorah, definitivamente, é dengosa... e acaba presenteando as pessoas com um sorriso dengoso ao invés de um beijo lançado com a palma da mão.
O tchau dela sai tímido, às vezes atrasado, mas sai...
E daí tem o Criolo...
Show de lançamento do CD do Criolo (que deixou de ser Doido) e eu me coçando pra ir... show no sesc vila mariana.. área nobre... rap lá?? só me lembro do DJ Cia, acompanhando Elza Soares... aquele teatro com cara de arena, o palco imenso e rap ecoando por aquelas paredes? eu queria ver isto... mas sem Dorah? Jamais! Juju Denden me recomendou ligar lá e perguntar... não deu outra: Dorah podia ir comigo e assim foi. Não sei se é cedo ou tarde mas é importante fazer algumas coisas que são minhas, é um jeito de me emancipar, de não assumir exclusivamente a identidade Mãe mas intercalar com todas as outras facetas que me compõe. Foi uma conquista.
Como chegamos lá nem merece ser comentado... um taxista idiota que vai morrer de fome e arder no inferno atrasou nosso lado.
Dorah dentro do teatro do sesc... ela nem se ligou do que era... luzes apagadas, nada... mas quando começou o show... vixe... ela ficou petrificada, encantada... um monte de músicos no palco, as luzes... tudo... ela ficou um tempão observando... encantada mesmo. Lá pela 3a ou 4a música ela já estava dançando, balançando o braço e cantando! não dormiu um segundo... viu tudo até a penúltima música... na última música do bis ela se rendeu e se aconchegou no meu colo.
Foi lindo!
Era tudo o que eu queria: nós duas em shows por aí! Amo ir a shows. Amo estar em shows de rap... e se ela pode ir comigo, será mil vezes melhor.
Indo embora com Vanessa e Lavínia, uma linda mãe com sua linda e enorme filha de 10 anos, rolou o momento "mãe, deixa eu ir pro playcenter".. Cheguei em casa pensando: Caralho, essa menina faz rolê que poucos da idade dela fazem, vai pra shows, fala com artistas, assiste gravações de todo tipo, dança no palco com a mãe... e ainda quer ir ao playcenter? como assim??!! não sei se argumentarei suficiente com Dorah, se meu argumento terá poder mas estes rolês de show são infinitamente mais interessantes do que pagar pra passar medo no playcenter. Entendo a pressão social mas.. sei lá.. o que ela faz é tão mais legal!!! minha vez chegará!
Eu fiquei muito feliz em ir ao show do Criolo. Primeiro grande show de rap de Dorah Madiba. Fiquei feliz em ver Ariane, Janaína, Vanessa e Lavínia, (Katiane!!!) Dandan... em ver o público cantando as músicas do Criolo, em ouvir um tiquinho de Rodrigo Campos, lá de São Mateus - um lugar que não é tão longe assim....
Arranjos lindos, vários boleros, uma luz bacana - precisando de pequenas correções, Dandan multitarefas, a homenagem aos pais do Criolo... e eu acompanhada por Dorah Madiba.
Pensei em muita coisa... mas o mais importante, tava rolando.. nós duas lá. Juntas. Parceiras.
Música como protagonista e pano de fundo, da nossa história.
É isto que sempre quis.
É isto que quero.
Música como um valor, algo que proporciona uma elevação de espírito imensa... e o rap, que traz consciência crítica e racial? Importante demais pra mim.