terça-feira, 24 de maio de 2011

O tamanho das coisas


Nem tudo são flores.
às vezes há alguns dissabores.
Todos eles fazem parte do cotidiano
de qualquer cidadão.
O transporte público,
a dor nas costas,
O frio,
a roupa velha.
O sorriso da pequena
e mais um dia vivido.
Tenho uma nostalgia não sei de quê.
Culpa dos 50 anos a mil que tô lendo
e me joga num turbilhão de pensamentos -
e em nenhum deles eu seria quem sou hoje.
Ser quem sou não é ruim,
é difícil admitir que é bom.
Porque pra ser bom eu teria que me conformar
com meia dúzia de situações.
E não vou.
O jeito que nossa sociedade escolheu pra ser
e existir
é ultrajante.
Nos rouba muitos instantes.
Se estou aqui, é porque minha pequena está diante da TV
ou está dormindo.
Surpreendentemente, ela me deixa com alguns momentos de respiro.
E quando me quer, me quer numa intensidade tão grande
que meu corpo, mesmo exausto,
encontra uma força tão telúrica
que me sinto um bambu chinês...
com rachaduras e fissuras.
Sem quebrar, sou incapaz de negar
o abrigo que ela pede,
o conforto que ela quer,
o calor que ela anseia
ou o peito que ela devora!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

algumas primeiras vezes

Com Dorah Madiba colecionarei muitas primeiras vezes... tantas destas só minha e dela.. hj foi uma destas. Não houve registro, nenhuma foto (que eu saiba). nada. Quero contar.
Descemos no terminal lapa. Ela estava animadíssima porque todo o percurso da creche até o terminal ela passou brincando com Cauê, um garoto adorável que tava fazendo 8 anos hoje. Ele cantou e ela riu. Ele brincou com ela e ela gargalhou... esqueceu de mim, do peito... ela só tinha olhos para Cauê, que não cansava de dizer o quanto adorava os dedinhos dela e como ela era linda!
Mais um que caiu nos encantos de Dorah Madiba...
Enfim, descemos no terminal Lapa e tava rolando um rock and roll violento... Ramones!! daí começa a música do Pink Floyd... ela só olhava na direção da música. Era o Projeto Som Jovem da Coordenadoria da Juventude da Cidade de São Paulo. Abri espaço entre as pessoas e sentamos na beira do palco. Ela olhava, encantada, tudo aquilo.. Nada assustada com o volume da música ou as três guitarras da banda Lados Opostos.
Toxa, o baixista, foi tão sensível.. falou com a gente depois do show.
Dorah espiou tudo: desconectando os fios, guardando os instrumentos... as palmas!! ela assistia ou show mas não esquecia do público! Ela está numa fase em que tá buscando entender o que são palmas! A carinha dela vendo todas as pessoas a nossa volta batendo palmas, foi hilária!! Ela tava realmente querendo entender o gesto.
O deslumbramento dela foi tanto que as pessoas começaram a notá-la. Até a banda a percebeu! E, em alguns momentos, me pareceu que tocavam pra ela. Era a última música... O clássico do Pink Floyd que me serve de base pra eu cantar "atirei o pau no gato", como Dan me ensinou, como Falcão (sim, o cantor Falcão) cantava nos anos 90: "Hey, Chica! Deixa o gato em paz! Não pode maltratar os pobres dos animais!!" Foi legal, sabe? juntar tudo... minha história com o Dan, a música e Dorah.
Porém outra coisa me tocou profundamente: mais uma vez me dei conta de que meu papel como mãe é possibilitar o maior número de experiências possíveis pra ela. Dar segurança para que ela possa descobrir as coisas, sentir, conhecer, vivenciar... parece simples... e, em alguma medida, é simples, porém não deixa de ser desafiador.
Chegamos em casa e ela brincou tanto... ela realmente ficou bem. Foi dormir às 22h! Um verdadeiro milagre!
Como o mundo tem das suas travessuras, descobri que os integrantes da banda moram do outro lado da Av. Cangaíba e se apresentarão na concha acústica da Tiquatia no dia em que Dorah completa 9 meses.
Dorah Madiba... hoje ela me deu mais uma lição...