sábado, 15 de janeiro de 2011

Sobre Realeza



O tempo é rei mas eu sou rainha!

uma rainha que sente certa insegurança ao segurar o cetro na mão,
que sente o desconforto do manto nas costas,
o aperto dos sapatos nos pés,
a responsabilidade de governar um reino
e expandi-lo a fim de tornar-se um império.

Meu império tem uma dádiva,
tão rainha quanto eu.
Gerada na intensidade do encontro,
na tentativa apaixonada de envolver o rei e mostrar a ele que outra vida é possível,
sem cordas, amarras ou masmorras para prendê-lo.

Gerada na busca da liberdade de amar,
ela chegou com os olhos mais vivos que já vi na vida!
chegou com um sorrisão que desmancha meu coração em mel
gestos delicados e firmes,
um calor no corpo que preenche toda minha alma.
Meu império está expandido! Madiba, minha dádiva!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RE-qualquer coisa

Ando pensando em como a maternidade é um troço doido. Minha questão é com o quanto ficamos expostas a partir do momento em que publicizamos que estamos gerando uma vida dentro de nós.
Há um consenso técnico, médico, que diz que vc tem que engordar tantos quilos por mÊs, que tem que comer isto ou aquilo, fazer não sei quantos exames e, aparentemente, tudo muito bom mas sempre tem a sombra da desne-cesárea que chegou até mim... mas quem imaginaria que esta magricela chegaria à materndade com 7 de dilatação? Foi a benção porque, caso contrário, não teriam esperado nada e teriam passado a faca em mim?
Tantas mulheres passam por isto.. não dão tempo do corpo agir... mas, é verdade também, que a mulher precisa estar em sintonia com o corpo e o momento pra encarar o parto normal. Eu não troco por nada neste mundo e Deus sabe o que faz! Se dependesse do momento do nascimento de Dorah, eu teria tido uns 10 filhos porque nenhum dos fantasmas que me pintaram, apareceu pra mim.
Bom, falando em fantasmas que rondam tem o fantasma que atormenta a amamentação: "pouco leite", "leite fraco", "criança com fome". Raro é o cristão pra lavar a louça na minha casa, limpar banheiro e poupar minhas energias pra que eu pudesse dormir e produzir o tanto de leite necessário. Não faltou alimento pra Dorah porque Deus é maravilhoso e eu tenho a cabeça boa.
O pouco peso que ela ganha mensalmente traz a sombra do complemento alimentar. Estamos chegando aos 5 meses de vida da Pretinha e cabe nos dedos de uma mão quantas vezes lancei mão deste tal complemento.
Sempre tem quem queira que ela tome água, chá, papinha, experimente o docinho, o refrigerante o a PQP totalmente inadequado pra idade dela.
Se fosse pra ser assim, comendo e experimentando comida industrializada, a Organização Mundial da Saúde não recomendaria DOIS ANOS de aleitamento para crianças. Além de mais barato é insubstituivelmente mais saudável. Ela recebe meus anticorpos além da segurança, do calor, do conforto, do afeto que o peito transmite. É pouco? Só se for pros trolhas invejosos que, não tendo nada disto, buscam nas prateleiras dos supermercados e nas vitrines dos shoppings.
Daí tem outro fantasma - este, ninguém ousa comentar... o lance do parto natural estragar o brinquedinho do papai...
Pra começo de conversa, minha boceta não é brinquedo de ninguém. É minha e dou pra quem eu quero e eu sempre levei isto muito a sério. O culto à boceta apertada, virgem, acaba por estimular o encontro sexual entre homens maduros e jovens muito jovens, pra não dizer crianças - o que não é mentira nenhuma... E, boceta saudável se exercita. Portanto, quem diz que parto normal acaba com o brinquedinho do papai, não manja nada de bocetas.
Aqui anda tudo normal quanto a fase pede porque a prioridade é AMAMENTAR e não trepar. O corpo manda hormonios pra produção de leite e não pra produção de lubrificação vaginal porém, ela está lá, existe e só precisa de uma mãozinha pra estimulação! Homens preguiçosos, saiam da fila!!
Ainda tem o lance do "corpo voltar ao normal". Que catso é isto? Quem inventou esta meleca de normalidade pra um corpo que gestou por 9 meses, pariu e segue contribuindo pro desenvolvimento pleno do ser gerado? Só pode ser um homem cego! Não é regra ter normalidade. É possível voltar ao peso anterior à gravidez mas NUNCA ao mesmo corpo porque não é o mesmo corpo.
É um corpo que passou pela maior transformação que existe no mundo, como é possível um retorno anterior à tal transformação. Mudou, já era. Outro corpo, outra sensação, outro cuidado, outro peito (tão lindo quanto sempre foi, exposto por aí porque são as mamas quem cumprem a função de aMAMentar portanto é mais uma demonstração de ignorância fetichizar sexualmente a amamentação. Talvez a amamentação tenha a ver com sexualidade, há quem defenda isto mas, como toda e qualquer sexualidade faz parte da intimidade da pessoa, não tem porquê discuti-la publicamente.
No final das contas, mesmo no século XXI, o corpo feminino e suas funções são tão desconhecidas que a sociedade contemporânea segue não sabendo como lidar com este corpo tão holístico, tão integrado, tão processual.
Triste é ver mulheres se entregando às pressões sociais, escravizadas de convenções sociais, entristecidas e pressionadas sem entender picas de nada. Sem reflexão, sem conexão com o próprio sentimento.
Como sou eu nesta fita? Grávida, nunca rejeitei a gestação - mesmo com os 340 mil perrengues que vivemos. Pari pelas vias normais e no meu momento de alimentar Dorah também senti a pressão e ameaça de incompetencia pairando sobre meu corpo. O tempo me deu convicção de que estou certa. Não tenho meu peso anterior à gestação mas já uso as calças 38 e sei bem que o corpo não é o mesmo. A crise que há é que não tenho tempo nem exerço uma atividade que me conecte com meu novo corpo, por enquanto! E minha intimidade, apesar de não ser do interesse de ninguém, vai bem, obrigada!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fui presenteada!

com muitas coisas...
a paz reina em casa... Dorah e o pai estão curtindo a companhia um do outro
no trampo, tô pegando o ritmo
e, a melhor...
roubei do Wal (http://negrasletras.blogspot.com/2010/12/zelo.html)

"até que a falta de um os separe!!!"

vai virar meu mantra!!
em especial no dia de hoje, depois de mais um ano carregando Dorah junto a mim, nos separamos fisicamente. Também por ontem em que, a noite foi deliciosamente conciliadora!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Depois de tanta chuva, o sol...

Semana de céu cinza, muita água e como o domingo se aproxima? ensolarado! Lindo! Inspirador!
Penso sobre condições ideais e o quanto corro atrás delas. Amanhã é meu retorno ao trabalho e isto significa uma grande mudança para Dorah e eu.
Não nos preparamos para isto mas não foi escolha nossa. Continuamos grudadas uma na outra, ela no peito muito tempo e várias vezes ao dia. Comprei uma mamadeira para os cuidadores se sentirem mais seguros em dar meu leite para ela. Minha proposta é que ela beba no copo, seja lá qual for o copo mas peito é mais do que alimentar. Comer tem a ver com sentimento, com sentir-se seguro, acolhido, querido... tanta gente desconta suas frustrações na comida, vivemos uma época de tantos transtornos alimentares e, quando se trata de um bebê, as pessoas esquecem o contexto do alimento.
Se Deus permitir, o choque de Dorah será menor porque ela será alimentada pelo pai - o segundo melhor colo do mundo.
Ele, que gosta tanto de me desacelerar, que afirma ter um tempo mais lento do que o meu, não entendeu que Dorah precisava de uma transição.
Talvez ele esteja certo e amanhã a choradeira não seja maior do que geralmente é. Talvez ele brinque tanto com ela, saia com ela pelo bairro e ela, no conforto do sling, não dê pela minha falta e, quando começar a ficar difícil, lá vai ela de lotação pra casa da avó... tudo novo e, quando começar a estranhar de novo, estou de volta.
Espero que tudo fique bem pra ela... pra mim? ainda não tive tempo de processar ou me preparar.. vou esperar pra ver como o dia transcorre.