quarta-feira, 6 de novembro de 2013

As águas, a febre

Minha cabeça é de água.
Água quente, água com movimento
forte, destemido. 

Não é remanso, não é contemplativo.
Tem serenidade e tem transparência... 
Transparênca... glasnost...
Moscou na minha vida, 2 décadas depois.

Minha febre me visitou.
Minha febre pelo mundo, o mundo que me intriga.
Meu encantamento foi despertado por águas profundas,
duplamente profundas.

Com o encantamento veio a (re)descoberta,
a franqueza e a sincronicidade do encontro das águas.

Uma pororoca urbana, emocional,
as águas do corpo, a água que o corpo pede,
o calor, a febre. 

Um presente para minha vida.
Alegre, divertido e surpreendente, como são os presentes.
Para este momento, minha vida é febre,
encantamento e encontro de águas.

Para este momento vejo o charme do mundo,
com aquilo que me intriga, me leva e me ganha.
Não poderia estar mais agradecida!


domingo, 16 de junho de 2013

Coragem, o contrário do medo

Coragem pra tomar uma atitude,
pra saber a hora de parar;
coragem pra calar quando o peito quer explodir
e vc sabe que a explosão não construirá nada.

Medo de ficar
o tempo atropelar,
o passado voltar - será que ele saiu de cena alguma vez?
Medo de arriscar, deixar tudo pra trás e perder o chão.

Ir? Ficar?
Falar? Calar?
as dicotomias são perenes e minha disposição para elas, sazonais.

Hoje o dono da estrada, dos caminhos, comeu.
O sábado é dela, sempre será dela e no dia dela, ele comeu.
Meu desejo é de que eles, com suas espadas e facões,
com suas sabedorias e percepções
me orientem, me tranquilizem e me mostrem o caminho.

não quero riqueza; quero saúde e prosperidade.
Ppreciso de calma na minha cabeça.
Preciso senti-los por perto, segurando minha mão, olhando meu caminhar.
Preciso de outra fase, uma com menos guerras com mais coragem.

Eles me deram uma nova família: uma nova mulher e um novo homem na vida.
Irmandade, cuidado, compadrio, amor, axé.
Só por tudo isto, já sou tão agradecida...
me sinto honrada em tê-los comigo.
Me sinto privilegiada em sentir que neste caminho,
que tem sido espinhoso e árido,
não estou sozinha, nem desamparada.

A dona dos rios e cachoeiras é a senhora do meu destino.
O dono do ferro me dá força e um espírito de luta,
uma força que não me permite ficar no chão.
E meu coração, cheio de gratidão, pelo presente
pelo cheiro de café na casa,
pelo dendê estalando dentro da minha cabeça,
pela boca pedindo mel
os pés pedindo por chão,
o riso da erê ecoando na casa,
a voz grave e confiante,
cheia de segurança, amor e convicção,
ecoando pela casa, com a seriedade de quem está comprometido.

Meu tateto, minha fortaleza, conhece tão bem meu coração e meu desafio,
assim como soube construir os caminhos para trazê-los,
ele saberá construir os caminhos para que eu possa seguir,
com dignidade e bem acompanha.

Ir ou ficar? importa, sim mas, o que não muda é que terei meus orixás e estas pessoas comigo e em todo lugar.