Faz tempo que quero desenrrolar esta ideia... sobre o uso de palavras pejorativas no nosso rap.
Há uma semana ouvi um MC novo cantar algo do tipo: "sou a ovelha negra da família", no sentido mais senso comum (e negativo) possível.
Quase tive um troço na plateia!
Há quase um ano vi um outro grupo, de jovens, bastante promissor, usar "denegrir" também no sentido negativo.
Minha dúvida, nas duas situações é: essa turma não escutou nada?? não leu nada? não aprendeu com os mais velhos?
O rap/ hip hop tem ensinado o quê, pra nossos jovens?
Penso ainda: onde foi que nos perdemos???
A FNMHH (Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop) promove encontros para formação de jovens mulheres em questões ligadas ao Hip Hop e à negritude. O Hip Hop Mulher também promove encontros com trocas de ideias e fortalecimento da rede de rapeiras e mulheres ligadas ao hip hop. São duas ocasiões em que há trocas intensas sobre técnicas e conhecimento dos 5 elementos de nossa cultura.
Porém, no cotidiano, a gente não troca mais textos, não recomendamos: "leia isto, é muito foda!" E na sequência vem um livro do Abdias do Nascimento, da Cidinha da Silva ou de Carolina Maria de Jesus. Não estamos lendo, não estamos nos formando? não estamos buscando literatura e história, a oficial ou a nossa, reescrita por tantos pesquisadores que estão do nosso lado?
Eu tenho minha petulância.. tô envolvida nisto, há 10 anos e tem muita coisa clássica do rap nacional que não escutei. Sei que tenho dever de casa a fazer. Sei que se eu envolver os DJs nesta conversa, eles vão apontar músicas que falam de questões raciais, discutem o tema mesmo.. GOG, RZO, Potencial 3, Eli Efi e DMN. Tem conhecimento produzido pra todo lado!
Não escutei as músicas mas li: Luiz Gama, a história de João Cândido, de Ruth de Souza, Malcom X, Steve Biko, Nélson Mandela. Conheço a importância de Heitor dos Prazeres, de Abdias, de Elisa Larkin, de Cuti, Allan da Rosa, Cidinha da Silva... tem um monte de gente discutindo questões raciais. Como alguém pode entrar no meio de uma história que já tem 2 décadas e desconsiderar o ensinamento dos mais antigos?
Ou, cadê os mais velhos pra ensinar pros mais novos? Há pouco mais de um ano, num encontro na casa do Hip Hop, pude ouvir Nélson Triunfo contando história, provocando reflexões e defendendo nossa cultura. Nino Brown faz isto todo o tempo! É um comprometimento que vai além de gravar CD, fazer video clipe ou "pegar as mina".
Tô feliz em ver o clipe Edi Rock, com participação do Seu Jorge, contando de maneira tão poética, uma história muito triste e ainda real. http://www.youtube.com/watch?v=ysfm_adxRrI mostrando o mesmo comprometimento de sempre, na mesma envergadura, com maturidade e beleza.
Fico feliz em ver os Racionais numa onda black panther, contando a história de Carlos Mariguella.. http://mtv.uol.com.br/musica/assista-a-marighella-o-novo-clipe-do-racionais-mcs
Caos do Subúrbio é outro grupo que tem trazido a valorização da cultura negra http://www.youtube.com/watch?v=jFhRM6cXCYg
http://www.youtube.com/watch?v=x6X2v5ckpPA&list=HL1342484939&feature=mh_lolz
Capulanas, também dando sua contribuição... http://g1.globo.com/videos/sao-paulo/sptv-1edicao/t/edicoes/v/eletropaulo-faz-blitz-sobre-os-cuidados-que-criancas-devem-ter-com-pipas/2040913/
Poxa, tem muita fonte pra beber, tá aí.. é só estudar, ter humildade, determinação e comprometimento. Valorizar à negritude vai além de batizarmos nossos filhos com nomes africanos, tem que ter respeito pelo que já foi construído e contribuir à partir daí.. penso que temos mais é que denegrir esta cidade, africanizar esta cidade, este país... mas fazer isto com reconhecimento e positividade.
Enfim, é o que penso.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
Cenas
Domingo me disseram: "uma mulher que é mãe não é apenas uma mulher."
No momento em que Dorah nasceu, o mundo me pareceu ganhar uma lente, com mais nitidez na imagem e mais vivacidade nas cores. Me perguntei, "como pude 'não enxergar' por tanto tempo'?
A situação se complexificou ao mesmo tempo em que trouxe singelices no cotidiano.
Ainda me encanto com a intensidade de versos de Fernando Pessoa, ainda me vejo ali mas fui mais além.
Fui a um lugar em que ele não esteve.
Um caminho trilhado por algumas mulheres.
Descobri-me.
Reinventei-me
Estou
Sou
O que me doía antes, atualmente, é como um grão de areia.
Só preciso de silêncio.
Silêncio para deixar meu coração bater, sem que eu mesma precise escutar os pensamentos que lá estão.
Para que o vento os levem, os espalhem, como pólen.
Preciso olhar minha preta comendo, correndo pela casa, batendo a cabeça na quina da mesa, sambando em frente ao espelho.
Escutá-la dizer: "opa!" "umguigo" ou cantarolar Carmen.
Não sei ouvi-la dizer "dodói", sem ficar de coração partido - que mãe sabe?
Não sei ouvi-la chorar e ficar indiferente.
Tô aprendendo que ela não pede meu peito. O leite que veio com ela, que era dela, já não lhe apetece.
Com isto vem a vontade de beber uma taça de vinho ou trago de rum, fumar um Popular, sentir a brisa fria no rosto, o calor do corpo adulto...
tudo igual ao que já foi um dia?
Não, porque não sou apenas uma mulher.
No momento em que Dorah nasceu, o mundo me pareceu ganhar uma lente, com mais nitidez na imagem e mais vivacidade nas cores. Me perguntei, "como pude 'não enxergar' por tanto tempo'?
A situação se complexificou ao mesmo tempo em que trouxe singelices no cotidiano.
Ainda me encanto com a intensidade de versos de Fernando Pessoa, ainda me vejo ali mas fui mais além.
Fui a um lugar em que ele não esteve.
Um caminho trilhado por algumas mulheres.
Descobri-me.
Reinventei-me
Estou
Sou
O que me doía antes, atualmente, é como um grão de areia.
Só preciso de silêncio.
Silêncio para deixar meu coração bater, sem que eu mesma precise escutar os pensamentos que lá estão.
Para que o vento os levem, os espalhem, como pólen.
Preciso olhar minha preta comendo, correndo pela casa, batendo a cabeça na quina da mesa, sambando em frente ao espelho.
Escutá-la dizer: "opa!" "umguigo" ou cantarolar Carmen.
Não sei ouvi-la dizer "dodói", sem ficar de coração partido - que mãe sabe?
Não sei ouvi-la chorar e ficar indiferente.
Tô aprendendo que ela não pede meu peito. O leite que veio com ela, que era dela, já não lhe apetece.
Com isto vem a vontade de beber uma taça de vinho ou trago de rum, fumar um Popular, sentir a brisa fria no rosto, o calor do corpo adulto...
tudo igual ao que já foi um dia?
Não, porque não sou apenas uma mulher.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Processos
Enquanto Dorah vive os processos de crescimento, eu vivo um processo de transição de personas de "mãe trabalhadora" para "mãe-mulher-trabalhadora".
Não é tão simples e, quanto todos os outros vividos até agora, penso que rola rápido demais! Mas tô nele. Vivi o coaching pra mulheres que me deu um varal de temas pra pensar. Conheci mulheres fantásticas e me dei conta de que é possível equilibrar os vários eus que há em mim, mesmo não me chamando Fernando Pessoa.
Depois do coaching veio uma aproximação linda com uma ekede de Nanã. Outra nação, desejos semelhantes e que também vive um processo de transmutação intenso. Tem sido um presente estar com esta mãezinha. Ela vai tocando um adjá invisível que tem me colocado em movimento. Ela também é a responsável pelas ondas em meus cabelos. Brincou com a tesoura e trouxe leveza para minhas madeixas.
Parte de mim, ainda não está habituada com este cabelo por outro lado, sei lá, parece que é mais um pedra na pavimentação deste caminho.
Aliás, este caminho tem outras tantas reflexões... tem gente chegando e uma porção saindo... este é outro movimento que também assisto e me espanto com a velocidade estabelecida. Se fosse do meu gosto, tudo poderia caminhar com uma redução de 20% no ritmo.
Ainda tem gente sorpresa que não sabe o que esperar de mim agora, que tudo tá assim... não acho ruim, não... só não tô com ânimo pra esperar pela coragem alheia.
Também não sei bem como o que tem aqui guardado primaverá, não faço ideia... tenho uma certa curiosidade mas, de novo, sem ansiedade pra não contribuir com o ritmo já acelerado.
No mais, acho que a vida tá aí, assim.. Dorah Madiba anda e fala, tá desmamando e desfraldando. Os processos dela são mais fáceis de nomear. Enquanto ela trilha o caminho dela, o meu vai se revelando, um novo, seletivo, refletido caminho. Todo o resto vivido também foi refletido porém com outra profundidade. Não faria nada diferente. Tenho Dorah só pra mim, o presente é inteiramente meu e isto tem sido cada vez mais esplendoroso.
Não é tão simples e, quanto todos os outros vividos até agora, penso que rola rápido demais! Mas tô nele. Vivi o coaching pra mulheres que me deu um varal de temas pra pensar. Conheci mulheres fantásticas e me dei conta de que é possível equilibrar os vários eus que há em mim, mesmo não me chamando Fernando Pessoa.
Depois do coaching veio uma aproximação linda com uma ekede de Nanã. Outra nação, desejos semelhantes e que também vive um processo de transmutação intenso. Tem sido um presente estar com esta mãezinha. Ela vai tocando um adjá invisível que tem me colocado em movimento. Ela também é a responsável pelas ondas em meus cabelos. Brincou com a tesoura e trouxe leveza para minhas madeixas.
Parte de mim, ainda não está habituada com este cabelo por outro lado, sei lá, parece que é mais um pedra na pavimentação deste caminho.
Aliás, este caminho tem outras tantas reflexões... tem gente chegando e uma porção saindo... este é outro movimento que também assisto e me espanto com a velocidade estabelecida. Se fosse do meu gosto, tudo poderia caminhar com uma redução de 20% no ritmo.
Ainda tem gente sorpresa que não sabe o que esperar de mim agora, que tudo tá assim... não acho ruim, não... só não tô com ânimo pra esperar pela coragem alheia.
Também não sei bem como o que tem aqui guardado primaverá, não faço ideia... tenho uma certa curiosidade mas, de novo, sem ansiedade pra não contribuir com o ritmo já acelerado.
No mais, acho que a vida tá aí, assim.. Dorah Madiba anda e fala, tá desmamando e desfraldando. Os processos dela são mais fáceis de nomear. Enquanto ela trilha o caminho dela, o meu vai se revelando, um novo, seletivo, refletido caminho. Todo o resto vivido também foi refletido porém com outra profundidade. Não faria nada diferente. Tenho Dorah só pra mim, o presente é inteiramente meu e isto tem sido cada vez mais esplendoroso.
Assinar:
Postagens (Atom)
