terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

6 meses de dorah madiba



Consegui!!!
Ela tem o nome dela escrito no quadro da sala em que ela fica, no berçario da creche!!!
Hj ela faz 6 meses.
meio ano
emblemático
não está aqui agora.
o pai foi buscá-la na creche
não sei o que pensar disto tudo.
exceto que estou muito feliz por ela estar existir.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Com muita raiva




Tô de saco cheio e com pouca disposição pra ser qualquer outra que não eu mesma.
De todos os lados vem pressão... desde a dificuldade de amamentar trabalhando 8h/dia, com minha pequena rainha na creche até a pressão pra me manter equilibrada e não picar um na faca.
Não tenho o direito de surtar.
que saco!
as pessoas vem e vão, fazem o que querem, o que acham certo e estão sempre me roubando, ou tentando me roubar o direito de fazer as coisas do meu jeito.
O meu jeito diz que minha pequena rainha será apresentada aos poucos para a tal papa salgada. Que pressa é essa de fazer as crianças comerem alimentos sólidos?
Pressa para que ela teste todos os sabores de uma vez? é uma pressa para pressionar a mãe a desmamar!
Que inveja do peito, do aconchego e do carinho que envolvem a amamentação...
a pressão do sistema que diz o quê todas crianças matriculadas na educação pública tem que comer!!!
Pressão pra enquadrar, pra pôr na caixinha...
tô ligada que sempre terá um desalmado, achando que sabe mais do que eu, pra oferecer salsichas em cachorro quente pra minha rainha.
Sempre terá um infeliz, desmamado, que achará que refrigerante pode... só um pouquinho, pra experimentar...
o próximo pouquinho é o quê? cocaína?
Sempre tem dessas! todos os dias!! um-sem-ter-o-que-fazer que vai resmungar sobre a }Dorah no sling... que machuca as costas, as pernas e o caralho a quatro.
Pois que vão à merda todos estes desocupados que cuidam da vida alheia!
Álvaro de Campos foi mais elegante... disse: "não me massem, pelo amor de Deus!"
mas eu não sou ele nem qualquer outros dos ele que Pessoa criou então encho a boca e digo: "Vão à merda!"
Eu carrego minha pequena no sling, sim. Vou dar peito pra ela, sim. O quanto ela quiser, sempre que quiser. Vou brigar com o universo mas ela não vai ser atacada pelo bombardeio de comida... numa geração cheia de distúrbio alimentar: obesidade, anorexia e tem mais por aí...
A criança que faz 6 meses ganha uma fome espantosa que só pode ser sanada com comida salgada??? Cadê a parte do C-O-M-P-L-E-M-E-N-T-O que a comida faz parte? Todo mundo fala, fala mas quando tem uma ação de política pública de valor, vinda do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde, ninguém respeita... ficam aí criticando o governo, a educação, o aumento disto e daquilo e, quando tem uma orientação acertada em política pública, lutam contra?
A filha é minha. Eu carreguei 9 meses, eu pari com todas as dores e louvores de um parto natural, abençoada que sou dentro deste sistema cruel de nascer nenê, então eu tenho sabedoria e a falta dela em níveis suficientes pra fazer minhas escolhas e assumir meus erros.
Olha o tipo de coisa que me faz perder o sono!!!
toda esta ira porque tenho que encontrar um pediatra que faça o receituário pró-amamentação para que Dorah não caia de para-quedas na fórmula: "dois vegetais e uma folha" sem nunca ter posto nada salgado na boca dela!
O que eu farei? vários purês de vegetais... ela vai provar... depois vai provar purês com uma folha, depois as misturas! é irracional demais? UMA COISA DE CADA VEZ.
Ou seja, começou a briga: eu X o sistema de educação neste país.
A creche é ótima, salvou minha pele mas não é motivo para acelerarem um processo que eu tenho que estar à frente. A Creche cuida dela na minha ausência, não pode decidir por mim, tão pouco fazer por mim.
Há um sistema - e ainda falarei só sobre sistema... o quanto as pessoas implicam com o sistema financeiro e esquecem a força invisível e opressora dos demais sistemas - que quer ditar o que comemos, o que vestimos, o que consumimos pela tv.. quer formar valores de forma massificada, sem espaço pras individualidades. A criança faz 6 meses e eu perco meus mater-poderes? à merda com isto.
Vou tretar, sim...
não com esta raiva toda... com informação, determinação mas, se estas duas não servir, vai no grito mesmo. Porque só tenho UMA filha, só viverei isto UMA vez e ainda assim vou entregar as decisões para outras pessoas ou um sistema para o qual minha Dorah Madiba é um número ou um nome difícil.
Aliás, cadê a dificuldade em MA-DI-BA? Pronunciam Gisele Bundchen mas não MA-DI-BA? Três sílabas simples. Ok que não conheçam a história de Nélson Mandela, que prefiram ler e assistir filmes sobre 2a Guerra - se assistissem Invictus, nunca mais esqueceriam de Madiba, mas não vão me fazer engolir esta inconveniencia de abreviarem o nome da minha filha, é nome composto. Dorah Madiba. Não é Ana Paula, nem Maria Clara, nem Teresa Cristina. Não dá pra abreviar Dorah M.D. Gonçalves. Santa ignorância, Batman... já falei com gentileza, hoje falarei com contundência.
Dorah acordou. Fui Peito.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sobre Realeza



O tempo é rei mas eu sou rainha!

uma rainha que sente certa insegurança ao segurar o cetro na mão,
que sente o desconforto do manto nas costas,
o aperto dos sapatos nos pés,
a responsabilidade de governar um reino
e expandi-lo a fim de tornar-se um império.

Meu império tem uma dádiva,
tão rainha quanto eu.
Gerada na intensidade do encontro,
na tentativa apaixonada de envolver o rei e mostrar a ele que outra vida é possível,
sem cordas, amarras ou masmorras para prendê-lo.

Gerada na busca da liberdade de amar,
ela chegou com os olhos mais vivos que já vi na vida!
chegou com um sorrisão que desmancha meu coração em mel
gestos delicados e firmes,
um calor no corpo que preenche toda minha alma.
Meu império está expandido! Madiba, minha dádiva!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RE-qualquer coisa

Ando pensando em como a maternidade é um troço doido. Minha questão é com o quanto ficamos expostas a partir do momento em que publicizamos que estamos gerando uma vida dentro de nós.
Há um consenso técnico, médico, que diz que vc tem que engordar tantos quilos por mÊs, que tem que comer isto ou aquilo, fazer não sei quantos exames e, aparentemente, tudo muito bom mas sempre tem a sombra da desne-cesárea que chegou até mim... mas quem imaginaria que esta magricela chegaria à materndade com 7 de dilatação? Foi a benção porque, caso contrário, não teriam esperado nada e teriam passado a faca em mim?
Tantas mulheres passam por isto.. não dão tempo do corpo agir... mas, é verdade também, que a mulher precisa estar em sintonia com o corpo e o momento pra encarar o parto normal. Eu não troco por nada neste mundo e Deus sabe o que faz! Se dependesse do momento do nascimento de Dorah, eu teria tido uns 10 filhos porque nenhum dos fantasmas que me pintaram, apareceu pra mim.
Bom, falando em fantasmas que rondam tem o fantasma que atormenta a amamentação: "pouco leite", "leite fraco", "criança com fome". Raro é o cristão pra lavar a louça na minha casa, limpar banheiro e poupar minhas energias pra que eu pudesse dormir e produzir o tanto de leite necessário. Não faltou alimento pra Dorah porque Deus é maravilhoso e eu tenho a cabeça boa.
O pouco peso que ela ganha mensalmente traz a sombra do complemento alimentar. Estamos chegando aos 5 meses de vida da Pretinha e cabe nos dedos de uma mão quantas vezes lancei mão deste tal complemento.
Sempre tem quem queira que ela tome água, chá, papinha, experimente o docinho, o refrigerante o a PQP totalmente inadequado pra idade dela.
Se fosse pra ser assim, comendo e experimentando comida industrializada, a Organização Mundial da Saúde não recomendaria DOIS ANOS de aleitamento para crianças. Além de mais barato é insubstituivelmente mais saudável. Ela recebe meus anticorpos além da segurança, do calor, do conforto, do afeto que o peito transmite. É pouco? Só se for pros trolhas invejosos que, não tendo nada disto, buscam nas prateleiras dos supermercados e nas vitrines dos shoppings.
Daí tem outro fantasma - este, ninguém ousa comentar... o lance do parto natural estragar o brinquedinho do papai...
Pra começo de conversa, minha boceta não é brinquedo de ninguém. É minha e dou pra quem eu quero e eu sempre levei isto muito a sério. O culto à boceta apertada, virgem, acaba por estimular o encontro sexual entre homens maduros e jovens muito jovens, pra não dizer crianças - o que não é mentira nenhuma... E, boceta saudável se exercita. Portanto, quem diz que parto normal acaba com o brinquedinho do papai, não manja nada de bocetas.
Aqui anda tudo normal quanto a fase pede porque a prioridade é AMAMENTAR e não trepar. O corpo manda hormonios pra produção de leite e não pra produção de lubrificação vaginal porém, ela está lá, existe e só precisa de uma mãozinha pra estimulação! Homens preguiçosos, saiam da fila!!
Ainda tem o lance do "corpo voltar ao normal". Que catso é isto? Quem inventou esta meleca de normalidade pra um corpo que gestou por 9 meses, pariu e segue contribuindo pro desenvolvimento pleno do ser gerado? Só pode ser um homem cego! Não é regra ter normalidade. É possível voltar ao peso anterior à gravidez mas NUNCA ao mesmo corpo porque não é o mesmo corpo.
É um corpo que passou pela maior transformação que existe no mundo, como é possível um retorno anterior à tal transformação. Mudou, já era. Outro corpo, outra sensação, outro cuidado, outro peito (tão lindo quanto sempre foi, exposto por aí porque são as mamas quem cumprem a função de aMAMentar portanto é mais uma demonstração de ignorância fetichizar sexualmente a amamentação. Talvez a amamentação tenha a ver com sexualidade, há quem defenda isto mas, como toda e qualquer sexualidade faz parte da intimidade da pessoa, não tem porquê discuti-la publicamente.
No final das contas, mesmo no século XXI, o corpo feminino e suas funções são tão desconhecidas que a sociedade contemporânea segue não sabendo como lidar com este corpo tão holístico, tão integrado, tão processual.
Triste é ver mulheres se entregando às pressões sociais, escravizadas de convenções sociais, entristecidas e pressionadas sem entender picas de nada. Sem reflexão, sem conexão com o próprio sentimento.
Como sou eu nesta fita? Grávida, nunca rejeitei a gestação - mesmo com os 340 mil perrengues que vivemos. Pari pelas vias normais e no meu momento de alimentar Dorah também senti a pressão e ameaça de incompetencia pairando sobre meu corpo. O tempo me deu convicção de que estou certa. Não tenho meu peso anterior à gestação mas já uso as calças 38 e sei bem que o corpo não é o mesmo. A crise que há é que não tenho tempo nem exerço uma atividade que me conecte com meu novo corpo, por enquanto! E minha intimidade, apesar de não ser do interesse de ninguém, vai bem, obrigada!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fui presenteada!

com muitas coisas...
a paz reina em casa... Dorah e o pai estão curtindo a companhia um do outro
no trampo, tô pegando o ritmo
e, a melhor...
roubei do Wal (http://negrasletras.blogspot.com/2010/12/zelo.html)

"até que a falta de um os separe!!!"

vai virar meu mantra!!
em especial no dia de hoje, depois de mais um ano carregando Dorah junto a mim, nos separamos fisicamente. Também por ontem em que, a noite foi deliciosamente conciliadora!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Depois de tanta chuva, o sol...

Semana de céu cinza, muita água e como o domingo se aproxima? ensolarado! Lindo! Inspirador!
Penso sobre condições ideais e o quanto corro atrás delas. Amanhã é meu retorno ao trabalho e isto significa uma grande mudança para Dorah e eu.
Não nos preparamos para isto mas não foi escolha nossa. Continuamos grudadas uma na outra, ela no peito muito tempo e várias vezes ao dia. Comprei uma mamadeira para os cuidadores se sentirem mais seguros em dar meu leite para ela. Minha proposta é que ela beba no copo, seja lá qual for o copo mas peito é mais do que alimentar. Comer tem a ver com sentimento, com sentir-se seguro, acolhido, querido... tanta gente desconta suas frustrações na comida, vivemos uma época de tantos transtornos alimentares e, quando se trata de um bebê, as pessoas esquecem o contexto do alimento.
Se Deus permitir, o choque de Dorah será menor porque ela será alimentada pelo pai - o segundo melhor colo do mundo.
Ele, que gosta tanto de me desacelerar, que afirma ter um tempo mais lento do que o meu, não entendeu que Dorah precisava de uma transição.
Talvez ele esteja certo e amanhã a choradeira não seja maior do que geralmente é. Talvez ele brinque tanto com ela, saia com ela pelo bairro e ela, no conforto do sling, não dê pela minha falta e, quando começar a ficar difícil, lá vai ela de lotação pra casa da avó... tudo novo e, quando começar a estranhar de novo, estou de volta.
Espero que tudo fique bem pra ela... pra mim? ainda não tive tempo de processar ou me preparar.. vou esperar pra ver como o dia transcorre.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Coração na mão...

Lá vem outra mudança...
mais uma...
não tenho ideia de como ficarão as coisas!
não tenho controle de nada.. nada depende exclusivamente de mim!
Sou abençoada! Não tenho do que me queixar... mas meu coração ainda não tá preparado pra outra mudança...
mais algumas semanas e vou me separar da Dorah! ela vai passar o dia na creche, eu no trabalho... entendo que a creche será parceira no processo de educação e sociabilização da pretinha mas é um exercício de desapego, sabe? Desapego da própria filha? me parece tão incoerente...
Ela fará 4 meses e um monte de coisas no entorno começa a mudar nesta época.. mas ela mesmo, não muda... continua no peito, continua babando e regurgitando... mas a vida muda.. tenho que pensar 2011, tenho que fazer ele acontecer da melhor maneira possível mas nada depende só de mim!
São muitas variáveis...
nada muda a atual vontade de chorar de tanta saudade.. saudade por antecipação... e tenho que trabalhar isto também! A independência dela (aos 5 meses de idade!) depende de mim! O médico corta o cordão umbilical mas há um outro elo que nos une...
bom, vai doer...
já tá doendo...
mas todo mundo passa por isto.
Bom, tem mãe que deixa na creche pra ficar livre da criança... não é o meu caso. É necessidade mesmo.. manter a casa e manter nós duas. Ninguém nos banca, não!!! E, nestas horas me pergunto: tem outro caminho? É possível ser uma mulher do século XXI e ser mãe em período integral?
é chato cuidar da casa, da roupa, da compras... é chato definir uma caralhada de coisas... mas é ótimo cuidar da Dorah! É ótimo vê-la descobrir que pode tocar a imagem dea refletida no espelho e, 5 segundos depois, regurgitar em cima do espelho!
ai, ai... minha Dorah não é aventureira, ela causa aventura na minha vida! Enfim, terei que sobreviver... e sobreviveremos.. com muitas lágrimas, mas sobreviveremos!!