terça-feira, 24 de maio de 2011

O tamanho das coisas


Nem tudo são flores.
às vezes há alguns dissabores.
Todos eles fazem parte do cotidiano
de qualquer cidadão.
O transporte público,
a dor nas costas,
O frio,
a roupa velha.
O sorriso da pequena
e mais um dia vivido.
Tenho uma nostalgia não sei de quê.
Culpa dos 50 anos a mil que tô lendo
e me joga num turbilhão de pensamentos -
e em nenhum deles eu seria quem sou hoje.
Ser quem sou não é ruim,
é difícil admitir que é bom.
Porque pra ser bom eu teria que me conformar
com meia dúzia de situações.
E não vou.
O jeito que nossa sociedade escolheu pra ser
e existir
é ultrajante.
Nos rouba muitos instantes.
Se estou aqui, é porque minha pequena está diante da TV
ou está dormindo.
Surpreendentemente, ela me deixa com alguns momentos de respiro.
E quando me quer, me quer numa intensidade tão grande
que meu corpo, mesmo exausto,
encontra uma força tão telúrica
que me sinto um bambu chinês...
com rachaduras e fissuras.
Sem quebrar, sou incapaz de negar
o abrigo que ela pede,
o conforto que ela quer,
o calor que ela anseia
ou o peito que ela devora!

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