O que dizer sobre a melhor pessoa do mundo?
ela é a responsável por me dar chão e medo de altura.
Tem o sorriso mais encantador que já vi.
Medo de nada.
Observadora
Carinhosa.
Tem seus momentos onça.
Desconfiada mas "vai com todo mundo",
permite o novo acontecer.
Não sei se ela É assim, se ESTÁ assim...
Sei que ela é a melhor pessoa do mundo!
Tem o abraço mais gostoso, o beijo mais suave.
Tem uma determinação que me surpreende,
um apetite de elefante, é vegetariana
e louca por pipoca.
Gosta de música, de show ao vivo, de sambar com a mão na cintura,
tocar a flauta, o caxixi, o pandeiro.
Cantarola o dia inteiro.
Não dá trabalho pra dormir,
Rola pela cama durante a noite toda.
Gosta de sair do banho e andar pela casa,
de experimentar chapéus,
quer passar batom,
sair de casa com bolsa,
levar a própria mochila.
Na lotação não quer ficar sentada no colo
e dá tchau pro motorista quando a gente desce.
Chega na estação vila matilde e grita: "chegou!!
gosta de brincar de cadê-achou.
o skype toca ela chama pelo Júlio,
no telefone que falar com Aline pra saber de Zuri e Bibi.
Também quer falar com Nana ao telefone e jogar todo seu charme pra esta mãezinha.
Do nada começa a falar da Dinda ou da vovó Lourdes.
Fala "a minha vovô!" e não deixa desligar o telefone
quando é com ele que tá falando e sempre pergunta por Luccas -
a relação tapas-beijos mais intensa de sua vida.
Gosta de bexigas, sapo, Muppets, Azur e Azmar.
Pede pra ver Du na internet - vários vídeos do Aláfia nos Favoritos...
Dorme comigo, não chupa chupeta, bebe no copo sem canudinho ou bico.
É bem humorada mas muito séria.
Gosta de azul, amarelo (tipo música do Cartola)
Já caiu do berço, da escada, levou patada de cachorro, teve 3 conjutivites.
Bate a cabeça umas 15 vezes ao dia, tem as pernas cheias de hematomas,
cai e diz: "opa, caiu!".
Se diverte em me chamar de Cris.
Chega em casa, tira o sapato e guarda num canto do quarto.
Me ajuda a guardar os brinquedos,
pede pra escovar os dentes,
quer subir sozinha a escada do prédio.
Adora ficar na "casa da bisa" entre erês e orixás.
Sem medo de caboclo, come com as mãos e sempre quer usar sua saia.
É a melhor pessoa do mundo,
a dádiva mais graciosa que eu poderia receber.
Minha vida não acabou quando engravidei, como predisseram os ressentidos
Minha vida mudou do jeito mais intenso que poderia acontecer.
Não lamento nada, não mudaria nada.
Reviveria tudo com menos ênfase na covardia alheia.
Há 2 anos ela chegava no mundão, com olhos vivos, sorrindo já em sua primeira noite.
Hoje ela faz 2 anos, cresceu muito, é muito grande com seus quase 12kg,
se diz forte.
2 anos de Dorah Madiba, os 2 melhores anos de minha vida.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
"Saber a hora de parar é pra homem sábio"
Discorrer sobre isto? não, não quero... Apenas digo que não dei ouvidos às inúmeras sugestões de complemento e não parei de amamentar quando me pressionaram ou desestimularam.
Vivi muita coisa louca para conseguir amamentar. Quero relembrar esta história.
O primeiro obstáculo: meu horror à leite. Eu recusei leite a vida inteira e assim tem sido até hoje. Fermentado, em iogurte e queijos, vai bem, mas no copo, seja leite humano, de vaca, de cabra, de elefante, não importa, não quero ver, tocar ou sentir o cheiro.
O obstáculo seguinte: não tive orientação sobre como amamentar. Meu peito rachou, sangrou, criou casca. Cilene, uma amiga abençoada, me presenteou com Lansinoh (acho que é este o nome da pomada) mas não foi miraculosa comigo, o peito seguia muito ferido.
Os conselhos de Adriana Guimarães e de uma lista virtual de apoio à amamentação, me tiraram desta encurralada - passar o próprio leite nos mamilos, expôr ao sol.
Aaaahh!! mas Dorah Madiba nasceu num dos dias mais frios de 2010 - me disseram que foi o mais frio! Logo, nada de sol por estas bandas... aí volta Adriana, que me ensinou a usar a lâmpada de abajour. 20 dias depois, o peito tava novo.
Mamava.
Regurgitava.
Poças de leite regurgitado em toda a casa!
Algumas almas solidárias fizeram esta faxina, algumas vezes.
1o mês - um excelente ganho de peso.
2o mês - ganhou pouco peso
3o mês.. hum, talvez precise de complemento.
um exame de sangue aqui, um nada de anormal ali...
A lista virtual me ensinando, me fortalecendo e eu resistindo: SEM COMPLEMENTO. "O leite que ela vai tomar é o que eu fabrico."
4o mês, o pediatra questiona minha mãe: "Cris era ruim de ganhar peso?" SIM!!! ATÉ HOJE!!! pronto, fim da história do complemento.
4o mês veio outra novela: retorno ao trabalho: bomba de tirar leite, armazenar leite, congelar leite e CONVENCER o adulto cuidador a oferecer leite num copo. Teimaram, brigaram, discutiram. Fiquei sozinha, teimando mais ainda. A nega do ziriguidum, um dia, toma da minha mão uma caneca de chá e vira na boca. Ofereço o leite na xícara e assim foi... mas o cuidador precisava de mamadeira. Nova dica de Adriana Guimarães e, na lista, consegui uma mamadeira que já não era mais fabricada mas que atendia as necessidades: formato do bico do peito e era uma mamadeira...
alguns stress e peito sem leite, má alimentação e peito com pouco leite.. tudo rolou... nunca pensei em desistir... o objetivo era amamentar até os 2 anos e, se ela quisesse mais, quando chegasse a 2, reveríamos.
5o mês: creche. Lá vai a tal mamadeira almodovariana, meu leite congelado e Aptamil de soja.
6o mês - igual, entrou o suco.
Tirar o leite era uma coisa de louco... o ideal pouco aconteceu, fiz o que deu.. o peito doía, cheio de leite, endurecia, minha coluna gelava... tudo o que eu queria era grudar minha filha no peito e dizer: ESVAZIE OS DOIS!! enfim, vida medíocre, ops, moderna! E assim findamos a amamentação exclusiva..
Dormíamos na mesma cama. As noites passaram a ser uma loucura... era o momento em que estávamos juntas e ela grudava no meu peito. Dormia. Acordava. Chorava. Grudava de novo... mais de saudade do que fome. Passamos 2 meses assim. "quizá ela dormisse melhor no berço?" funcionou. Desde os 9 meses dorme no berço dela, sem que eu tenha que criar estratégias mirabolantes para que ela dormisse.
A partir daí não contei...
![]() |
| Na Bienal |
amamentei indo, vindo, dormindo. Amamentei em shows, na casa de amigas, no museu, na Bienal. Amamentei em todos os cantos em que estivemos. O peito era dela.
Escutei piadas, comentários toscos, recebi olhares maliciosos, reprovadores.. vixi.. tudo o que poderia rolar, rolou.
Daí ela começa a falar: "pe", pedindo peito. Não chamo meu peito de "tetê, mamá" ou sei lá o quê. Peito é peito.
Aprimorou a fala: "peito!"
Também aprendeu a puxar minha blusa pedindo peito. Estimulei a dizer o que quer e não tomar de assalto. "O peito é meu e eu te dou".
Pedia peito sempre que entrávamos na lotação.
Pedia peito várias vezes.
Passou a pedir o outro.
Passou a pedir dia sim, dia não...
ops, 2 dias sem pedir peito?
lá vem ela grudando de novo...
e neste vai-e-vem fomos até 8 de julho de 2012.
Na companhia do Caos do Subúrbio, desfrutando duma janta deliciosa na casa de D. Odete, ela pegou meu peito pela última vez.
Eu não sabia que era a última vez... mas sabia que poderia ser.
E foi.
Já tomei vinho
Já passei hidratante.
Já usei cacharrel.
![]() |
| Com Ariane e Pietro |
Hoje ela tomou uma patada do Cheik. Tava sentida... e como eu quis colocá-la no meu peito pra acalmá-la... mas acabou... "saber parar é pra homem sábio" -rapeia Criolo em Sucrilhos - mas minha criança, minha filha linda, já tem sua sabedoria. Mudamos a fase... tenho peito, tenho colo, tenho uma cama... e hoje ela dormirá comigo, com curativo no lábio e dormirá sempre que quiser... ela é minha, eu sou dela... logo mais ela será do mundão e eu sempre vou sentir saudade da sensação fantástica que foi amamentá-la por 1ano, 10 meses e 21 dias.
![]() |
| Natal |
| Com Fator do E.G. |
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Tem mais é que denegrir, sim!!
Faz tempo que quero desenrrolar esta ideia... sobre o uso de palavras pejorativas no nosso rap.
Há uma semana ouvi um MC novo cantar algo do tipo: "sou a ovelha negra da família", no sentido mais senso comum (e negativo) possível.
Quase tive um troço na plateia!
Há quase um ano vi um outro grupo, de jovens, bastante promissor, usar "denegrir" também no sentido negativo.
Minha dúvida, nas duas situações é: essa turma não escutou nada?? não leu nada? não aprendeu com os mais velhos?
O rap/ hip hop tem ensinado o quê, pra nossos jovens?
Penso ainda: onde foi que nos perdemos???
A FNMHH (Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop) promove encontros para formação de jovens mulheres em questões ligadas ao Hip Hop e à negritude. O Hip Hop Mulher também promove encontros com trocas de ideias e fortalecimento da rede de rapeiras e mulheres ligadas ao hip hop. São duas ocasiões em que há trocas intensas sobre técnicas e conhecimento dos 5 elementos de nossa cultura.
Porém, no cotidiano, a gente não troca mais textos, não recomendamos: "leia isto, é muito foda!" E na sequência vem um livro do Abdias do Nascimento, da Cidinha da Silva ou de Carolina Maria de Jesus. Não estamos lendo, não estamos nos formando? não estamos buscando literatura e história, a oficial ou a nossa, reescrita por tantos pesquisadores que estão do nosso lado?
Eu tenho minha petulância.. tô envolvida nisto, há 10 anos e tem muita coisa clássica do rap nacional que não escutei. Sei que tenho dever de casa a fazer. Sei que se eu envolver os DJs nesta conversa, eles vão apontar músicas que falam de questões raciais, discutem o tema mesmo.. GOG, RZO, Potencial 3, Eli Efi e DMN. Tem conhecimento produzido pra todo lado!
Não escutei as músicas mas li: Luiz Gama, a história de João Cândido, de Ruth de Souza, Malcom X, Steve Biko, Nélson Mandela. Conheço a importância de Heitor dos Prazeres, de Abdias, de Elisa Larkin, de Cuti, Allan da Rosa, Cidinha da Silva... tem um monte de gente discutindo questões raciais. Como alguém pode entrar no meio de uma história que já tem 2 décadas e desconsiderar o ensinamento dos mais antigos?
Ou, cadê os mais velhos pra ensinar pros mais novos? Há pouco mais de um ano, num encontro na casa do Hip Hop, pude ouvir Nélson Triunfo contando história, provocando reflexões e defendendo nossa cultura. Nino Brown faz isto todo o tempo! É um comprometimento que vai além de gravar CD, fazer video clipe ou "pegar as mina".
Tô feliz em ver o clipe Edi Rock, com participação do Seu Jorge, contando de maneira tão poética, uma história muito triste e ainda real. http://www.youtube.com/watch?v=ysfm_adxRrI mostrando o mesmo comprometimento de sempre, na mesma envergadura, com maturidade e beleza.
Fico feliz em ver os Racionais numa onda black panther, contando a história de Carlos Mariguella.. http://mtv.uol.com.br/musica/assista-a-marighella-o-novo-clipe-do-racionais-mcs
Caos do Subúrbio é outro grupo que tem trazido a valorização da cultura negra http://www.youtube.com/watch?v=jFhRM6cXCYg
http://www.youtube.com/watch?v=x6X2v5ckpPA&list=HL1342484939&feature=mh_lolz
Capulanas, também dando sua contribuição... http://g1.globo.com/videos/sao-paulo/sptv-1edicao/t/edicoes/v/eletropaulo-faz-blitz-sobre-os-cuidados-que-criancas-devem-ter-com-pipas/2040913/
Poxa, tem muita fonte pra beber, tá aí.. é só estudar, ter humildade, determinação e comprometimento. Valorizar à negritude vai além de batizarmos nossos filhos com nomes africanos, tem que ter respeito pelo que já foi construído e contribuir à partir daí.. penso que temos mais é que denegrir esta cidade, africanizar esta cidade, este país... mas fazer isto com reconhecimento e positividade.
Enfim, é o que penso.
Há uma semana ouvi um MC novo cantar algo do tipo: "sou a ovelha negra da família", no sentido mais senso comum (e negativo) possível.
Quase tive um troço na plateia!
Há quase um ano vi um outro grupo, de jovens, bastante promissor, usar "denegrir" também no sentido negativo.
Minha dúvida, nas duas situações é: essa turma não escutou nada?? não leu nada? não aprendeu com os mais velhos?
O rap/ hip hop tem ensinado o quê, pra nossos jovens?
Penso ainda: onde foi que nos perdemos???
A FNMHH (Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop) promove encontros para formação de jovens mulheres em questões ligadas ao Hip Hop e à negritude. O Hip Hop Mulher também promove encontros com trocas de ideias e fortalecimento da rede de rapeiras e mulheres ligadas ao hip hop. São duas ocasiões em que há trocas intensas sobre técnicas e conhecimento dos 5 elementos de nossa cultura.
Porém, no cotidiano, a gente não troca mais textos, não recomendamos: "leia isto, é muito foda!" E na sequência vem um livro do Abdias do Nascimento, da Cidinha da Silva ou de Carolina Maria de Jesus. Não estamos lendo, não estamos nos formando? não estamos buscando literatura e história, a oficial ou a nossa, reescrita por tantos pesquisadores que estão do nosso lado?
Eu tenho minha petulância.. tô envolvida nisto, há 10 anos e tem muita coisa clássica do rap nacional que não escutei. Sei que tenho dever de casa a fazer. Sei que se eu envolver os DJs nesta conversa, eles vão apontar músicas que falam de questões raciais, discutem o tema mesmo.. GOG, RZO, Potencial 3, Eli Efi e DMN. Tem conhecimento produzido pra todo lado!
Não escutei as músicas mas li: Luiz Gama, a história de João Cândido, de Ruth de Souza, Malcom X, Steve Biko, Nélson Mandela. Conheço a importância de Heitor dos Prazeres, de Abdias, de Elisa Larkin, de Cuti, Allan da Rosa, Cidinha da Silva... tem um monte de gente discutindo questões raciais. Como alguém pode entrar no meio de uma história que já tem 2 décadas e desconsiderar o ensinamento dos mais antigos?
Ou, cadê os mais velhos pra ensinar pros mais novos? Há pouco mais de um ano, num encontro na casa do Hip Hop, pude ouvir Nélson Triunfo contando história, provocando reflexões e defendendo nossa cultura. Nino Brown faz isto todo o tempo! É um comprometimento que vai além de gravar CD, fazer video clipe ou "pegar as mina".
Tô feliz em ver o clipe Edi Rock, com participação do Seu Jorge, contando de maneira tão poética, uma história muito triste e ainda real. http://www.youtube.com/watch?v=ysfm_adxRrI mostrando o mesmo comprometimento de sempre, na mesma envergadura, com maturidade e beleza.
Fico feliz em ver os Racionais numa onda black panther, contando a história de Carlos Mariguella.. http://mtv.uol.com.br/musica/assista-a-marighella-o-novo-clipe-do-racionais-mcs
Caos do Subúrbio é outro grupo que tem trazido a valorização da cultura negra http://www.youtube.com/watch?v=jFhRM6cXCYg
http://www.youtube.com/watch?v=x6X2v5ckpPA&list=HL1342484939&feature=mh_lolz
Capulanas, também dando sua contribuição... http://g1.globo.com/videos/sao-paulo/sptv-1edicao/t/edicoes/v/eletropaulo-faz-blitz-sobre-os-cuidados-que-criancas-devem-ter-com-pipas/2040913/
Poxa, tem muita fonte pra beber, tá aí.. é só estudar, ter humildade, determinação e comprometimento. Valorizar à negritude vai além de batizarmos nossos filhos com nomes africanos, tem que ter respeito pelo que já foi construído e contribuir à partir daí.. penso que temos mais é que denegrir esta cidade, africanizar esta cidade, este país... mas fazer isto com reconhecimento e positividade.
Enfim, é o que penso.
sábado, 14 de julho de 2012
Cenas
Domingo me disseram: "uma mulher que é mãe não é apenas uma mulher."
No momento em que Dorah nasceu, o mundo me pareceu ganhar uma lente, com mais nitidez na imagem e mais vivacidade nas cores. Me perguntei, "como pude 'não enxergar' por tanto tempo'?
A situação se complexificou ao mesmo tempo em que trouxe singelices no cotidiano.
Ainda me encanto com a intensidade de versos de Fernando Pessoa, ainda me vejo ali mas fui mais além.
Fui a um lugar em que ele não esteve.
Um caminho trilhado por algumas mulheres.
Descobri-me.
Reinventei-me
Estou
Sou
O que me doía antes, atualmente, é como um grão de areia.
Só preciso de silêncio.
Silêncio para deixar meu coração bater, sem que eu mesma precise escutar os pensamentos que lá estão.
Para que o vento os levem, os espalhem, como pólen.
Preciso olhar minha preta comendo, correndo pela casa, batendo a cabeça na quina da mesa, sambando em frente ao espelho.
Escutá-la dizer: "opa!" "umguigo" ou cantarolar Carmen.
Não sei ouvi-la dizer "dodói", sem ficar de coração partido - que mãe sabe?
Não sei ouvi-la chorar e ficar indiferente.
Tô aprendendo que ela não pede meu peito. O leite que veio com ela, que era dela, já não lhe apetece.
Com isto vem a vontade de beber uma taça de vinho ou trago de rum, fumar um Popular, sentir a brisa fria no rosto, o calor do corpo adulto...
tudo igual ao que já foi um dia?
Não, porque não sou apenas uma mulher.
No momento em que Dorah nasceu, o mundo me pareceu ganhar uma lente, com mais nitidez na imagem e mais vivacidade nas cores. Me perguntei, "como pude 'não enxergar' por tanto tempo'?
A situação se complexificou ao mesmo tempo em que trouxe singelices no cotidiano.
Ainda me encanto com a intensidade de versos de Fernando Pessoa, ainda me vejo ali mas fui mais além.
Fui a um lugar em que ele não esteve.
Um caminho trilhado por algumas mulheres.
Descobri-me.
Reinventei-me
Estou
Sou
O que me doía antes, atualmente, é como um grão de areia.
Só preciso de silêncio.
Silêncio para deixar meu coração bater, sem que eu mesma precise escutar os pensamentos que lá estão.
Para que o vento os levem, os espalhem, como pólen.
Preciso olhar minha preta comendo, correndo pela casa, batendo a cabeça na quina da mesa, sambando em frente ao espelho.
Escutá-la dizer: "opa!" "umguigo" ou cantarolar Carmen.
Não sei ouvi-la dizer "dodói", sem ficar de coração partido - que mãe sabe?
Não sei ouvi-la chorar e ficar indiferente.
Tô aprendendo que ela não pede meu peito. O leite que veio com ela, que era dela, já não lhe apetece.
Com isto vem a vontade de beber uma taça de vinho ou trago de rum, fumar um Popular, sentir a brisa fria no rosto, o calor do corpo adulto...
tudo igual ao que já foi um dia?
Não, porque não sou apenas uma mulher.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Processos
Enquanto Dorah vive os processos de crescimento, eu vivo um processo de transição de personas de "mãe trabalhadora" para "mãe-mulher-trabalhadora".
Não é tão simples e, quanto todos os outros vividos até agora, penso que rola rápido demais! Mas tô nele. Vivi o coaching pra mulheres que me deu um varal de temas pra pensar. Conheci mulheres fantásticas e me dei conta de que é possível equilibrar os vários eus que há em mim, mesmo não me chamando Fernando Pessoa.
Depois do coaching veio uma aproximação linda com uma ekede de Nanã. Outra nação, desejos semelhantes e que também vive um processo de transmutação intenso. Tem sido um presente estar com esta mãezinha. Ela vai tocando um adjá invisível que tem me colocado em movimento. Ela também é a responsável pelas ondas em meus cabelos. Brincou com a tesoura e trouxe leveza para minhas madeixas.
Parte de mim, ainda não está habituada com este cabelo por outro lado, sei lá, parece que é mais um pedra na pavimentação deste caminho.
Aliás, este caminho tem outras tantas reflexões... tem gente chegando e uma porção saindo... este é outro movimento que também assisto e me espanto com a velocidade estabelecida. Se fosse do meu gosto, tudo poderia caminhar com uma redução de 20% no ritmo.
Ainda tem gente sorpresa que não sabe o que esperar de mim agora, que tudo tá assim... não acho ruim, não... só não tô com ânimo pra esperar pela coragem alheia.
Também não sei bem como o que tem aqui guardado primaverá, não faço ideia... tenho uma certa curiosidade mas, de novo, sem ansiedade pra não contribuir com o ritmo já acelerado.
No mais, acho que a vida tá aí, assim.. Dorah Madiba anda e fala, tá desmamando e desfraldando. Os processos dela são mais fáceis de nomear. Enquanto ela trilha o caminho dela, o meu vai se revelando, um novo, seletivo, refletido caminho. Todo o resto vivido também foi refletido porém com outra profundidade. Não faria nada diferente. Tenho Dorah só pra mim, o presente é inteiramente meu e isto tem sido cada vez mais esplendoroso.
Não é tão simples e, quanto todos os outros vividos até agora, penso que rola rápido demais! Mas tô nele. Vivi o coaching pra mulheres que me deu um varal de temas pra pensar. Conheci mulheres fantásticas e me dei conta de que é possível equilibrar os vários eus que há em mim, mesmo não me chamando Fernando Pessoa.
Depois do coaching veio uma aproximação linda com uma ekede de Nanã. Outra nação, desejos semelhantes e que também vive um processo de transmutação intenso. Tem sido um presente estar com esta mãezinha. Ela vai tocando um adjá invisível que tem me colocado em movimento. Ela também é a responsável pelas ondas em meus cabelos. Brincou com a tesoura e trouxe leveza para minhas madeixas.
Parte de mim, ainda não está habituada com este cabelo por outro lado, sei lá, parece que é mais um pedra na pavimentação deste caminho.
Aliás, este caminho tem outras tantas reflexões... tem gente chegando e uma porção saindo... este é outro movimento que também assisto e me espanto com a velocidade estabelecida. Se fosse do meu gosto, tudo poderia caminhar com uma redução de 20% no ritmo.
Ainda tem gente sorpresa que não sabe o que esperar de mim agora, que tudo tá assim... não acho ruim, não... só não tô com ânimo pra esperar pela coragem alheia.
Também não sei bem como o que tem aqui guardado primaverá, não faço ideia... tenho uma certa curiosidade mas, de novo, sem ansiedade pra não contribuir com o ritmo já acelerado.
No mais, acho que a vida tá aí, assim.. Dorah Madiba anda e fala, tá desmamando e desfraldando. Os processos dela são mais fáceis de nomear. Enquanto ela trilha o caminho dela, o meu vai se revelando, um novo, seletivo, refletido caminho. Todo o resto vivido também foi refletido porém com outra profundidade. Não faria nada diferente. Tenho Dorah só pra mim, o presente é inteiramente meu e isto tem sido cada vez mais esplendoroso.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Ressabiada. É assim que estou.
Ansiosa por crer mas,
tantas foram minhas crenças desfeitas
que penso ser estupidez acreditar de novo.
às vezes o instinto grita
por calor, por aconchego.
às vezes a solidão fica na espreita,
esperando a lágrima rolar.
Não chegou o calor, não veio a lágrima.
Meu ressabio é com os homens.
Mentem com tanta facilidade?
Omitem sem pudor?
Num vai-e-vem de não lugares
que não parece ter fim, eles transitam.
Querem que eu grite?
que eu esperneie?
que eu me renda?
não sei o que querem.
Há pouco vislumbrei um caminho
a princípio, parece que mereço trilhá-lo.
Enquanto me convenço,
contemplo o cotidiano com seu tom cinza
chamuscado de colorido.
É assim pra mim e deve ser parecido pra um montão de gente.
Ansiosa por crer mas,
tantas foram minhas crenças desfeitas
que penso ser estupidez acreditar de novo.
às vezes o instinto grita
por calor, por aconchego.
às vezes a solidão fica na espreita,
esperando a lágrima rolar.
Não chegou o calor, não veio a lágrima.
Meu ressabio é com os homens.
Mentem com tanta facilidade?
Omitem sem pudor?
Num vai-e-vem de não lugares
que não parece ter fim, eles transitam.
Querem que eu grite?
que eu esperneie?
que eu me renda?
não sei o que querem.
Há pouco vislumbrei um caminho
a princípio, parece que mereço trilhá-lo.
Enquanto me convenço,
contemplo o cotidiano com seu tom cinza
chamuscado de colorido.
É assim pra mim e deve ser parecido pra um montão de gente.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Cansaços e partidas
"Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
- Não quero saber do lirismo que não é libertação."
Tô cansada do movimento contemporâneo em que as pessoas buscam sanar sua dor, causando dor a outro fazendo uso egocêntrico do desejo sensual.
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
- Não quero saber do lirismo que não é libertação."
Manuel Bandeira
Não sou de recorrer a poemas... mas estou farta de tantas coisas...
Cansada da covardia das pessoas que se escondem atrás de sexo, álcool ou drogas.
A covardia que faz com que um homem não seja pai, não seja parceiro/ companheiro ou minimamente leal.
Da covardia de mulheres que escondem sua insegurança sob a máscara do ciúme, como se ele fosse prova de amor.
Tô de saco cheio das fronteiras que o tempo todo devem ser transpostas...
De TER que atender a expectativa alheia... o outro idealiza algo sobre mim e eu tenho que atender?? Sem chance! mal dou conta de atender minhas próprias expectativas!
Estamos em tempos de miséria da alma. Sou um ser em transformação, às vezes relutante mas, espero mas não reconheço em mim ter banalizado a dor ou afeto alheio, especialmente de alguém com quem me importo. Sexo não sobressai a amizade.
A miséria está em todos os lugares! Cada reportagem que leio e tantas outras inúteis que estão por aí! A roupa desta, a falta de roupa daquela, aquela que amamenta, aquela que foi traída... aquele que bebeu, aquele que matou, aquele que traiu, aquele que falou palavrão... aaaffff Onde estão as notícias sobre grandes feitos ou boas reflexões? onde estão os momentos de coragem cotidianos? amassados no transporte público, escravo da merreca mensal e das dívidas nas gavetas, a gente sobrevive no sentido letárgico da coisa.
E, no meio da bagunça da pauliceia, recebo a notícia de que minha avó partiu... Adiei tantas vezes vê-la, envolvida no ritmo do cotidiano, perdi a possibilidade de um espelho silencioso.
Lembro de minha avó com sues vestidos estampados, lenços na cabeça, com uma rudia na cabeça, batendo um super papo animado... casada com um homem mais jovem (herdei daí esta predileção?), minha avó tinha peculiaridades ímpares.
Mais uma vez, uma biblioteca que se foi.... esta, muito significativa, carregou consigo uma história que conheço poucas linhas. A distância geográfica, a péssima integração do interior do Brasil faz com que seja mais fácil ir para a Pequim do que a Condeúba. Terra que guarda o sabor da brevidade, do umbu e do requeijão.
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